terça-feira, 14 de junho de 2016

Será que ainda nos falta união?


Sabemos que historicamente fomos trazidos como animais da África, separados por diferentes tribos, para que a comunicação, (e até uma possível rebelião), fosse impraticável devido à impossibilidade de comunicação verbal. Nossos inícios foram assim, e hoje, se você observar bem, para a nossa sociedade racista, resulta muito conveniente que continuemos desunidos e desarticulados por uns motivos ou por outros.

Vendo uma entrevista de jovens negros LGBTT no Pretx (uma série do VAIDAPÉ, que aliás recomendo), me atentei  ao drama que estas pessoas enfrentam por enquadrar-se em duas condições inerentes a elas (ser negras e ser gays), ambas carregadas de preconceitos sociais. Por ex., rapazes homossexuais que curtem rap correm risco de serem espancados pelos seus próprios irmãos se forem a um show deste tipo de música.

Falando de não aceitação e discriminação, na entrevista se fala também sobre a discriminação que sofrem muitos negros de pele clara, por falta de aceitação dentro do universo negro.

Já esta semana, lendo sobre o colorismo me emocionei horrores com a historia da atriz e ex Globeleza Nayara Justino, chorei ouvindo seu relato sobre o preconceito que sofreu por ser considerada “negra demais”, detalhe, por parte de brancos e NEGROS!!!

Vira e mexe vejo posts e ouço comentários chatos sobre as irmãs alisam os seus cabelos, como se merecessem ser recriminadas por isso ou como se devessem algum tipo de explicação sobre como usam ou deixam de usar os seus cabelos.

Não sou homossexual, não tenho a pele clara, não levo o cabelo liso..., mas já me senti discriminada e até excluída pelos meus infinitas vezes: durante a infância porque a minha melhor amiga era branca, na adolescência por ser afro-descente e não africana, (morei na Espanha durante muitos anos e a maioria dos negros que conheci eram africanos, diversas vezes tive que ouvir que eu não era negra como eles pois descendia de escravos e misturas…). Mas tá, crianças, adolescentes, falam muitas bobagens, SQN. Hoje, muitas vezes ouço comentários babacas por estar casada com um homem branco... E por aí vai meu povo.

Meu ‘drama’ não se compara aos casos sérios comentados acima, mas reflete sim que a nossa desunião pode provir de qualquer coisa! Aí a seguinte frase do criador do Bicha Nagô, Ezio Rosa, esclarece perfeitamente: “Ter a estrutura negra desarticulada faz parte da estrutura racista que move todo o resto”.


Hoje falamos o mesmo idioma, cabe tentar falar também a mesma língua e parar de discriminar o irmão, seja pelo motivo que for. Felizmente, eu sinto que cada vez estamos mais perto disso... 
Pra mim, antes de ser mulher, de ser heterossexual, de ser advogada..., sou NEGRA. Este é o primeiro e principal fator que me define. E por este motivo, acredito sim que a nossa obrigação é amar-nos mais e mais, que devemos isso à nós mesmos!

Será que mais união entre nós não nos ajudaria a ocupar o espaço que nos corresponde mais rapidamente? Acho que vale a reflexão.
Nós por Nós.

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. ( e que não seja para venda ou qualquer fim comercial)






2 comentários:

  1. Thais, sinto tudo isto que escreveu no artigo - criticas e descriminação por ter o cabelo alisado e gostar dele assim, por ser casada com um "branco" por ter filhos extremamente claros, por não ser militante, por dizer que negro tem preconceito de negro... Enfim, optei por deletar e seguir em frente. Obrigada por sua contribuição!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É sempre bom saber que não é coisa da minha cabeça querida Tania! Conseguir deletar e seguir em frente é fundamental, o duro é o processo até conseguir que estas coisas não doam.
      Obrigada você.
      Abraços

      Excluir